Eu acredito!

Eu não acredito em problema

Eu não acredito na dor

Eu não acredito que não resta nada

Além de correr aqui novamente

Eu não acredito na promessa

Eu não acredito no acaso

Eu não acredito que você possa resistir

às coisas que não fazem nenhum sentido

Eu não acredito no silêncio

Porque o silêncio parece tão lento

Eu não acredito na energia

Se a tensão é muito baixa

Eu não acredito no pânico

Eu não acredito no medo

Eu não acredito em profecias

Então não desperdiço nenhuma lágrima

Eu quero que você tente, tente

Saber por quê, por quê

Sem brincadeira, sem pecado, pecado

Sem correr, sem ganhar, sem ganhar

Sem anjos, sem garotas, garotas

Sem memórias, sem deuses, deuses

Sem foguetes, sem calor, calor

Sem chocolate, sem doce, doce

Sem sentimento, sem segredos

O silêncio que você sente

O qual te esconde da realidade

Eu quero que você tente, tente

Saber por quê, por quê

Eu acredito, eu acredito!

Fernando Pessoa
Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que estou endoidecendo.
Bem sei que falha em mim quem sou.
Sim, mas, enquanto me não rendo,
Quero saber por onde vou.

Inda que vá para render-me
Ao que o Destino me faz ser,
Quero, um momento, aqui deter-me
E descansar a conhecer.

Há grandes lapsos de memória
Grandes paralelas perdidas,
E muita lenda e muita história
E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso; agora me perco
De mim e vou a transviar,
Quero chamar a mim, e cerco
Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero
Ser louco com moral e siso.
Vou tanger lira como Nero.
Mas o incêndio não é preciso.
Fernando Pessoa

Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que falha em mim quem sou.

Sim, mas, enquanto me não rendo,

Quero saber por onde vou.

Inda que vá para render-me

Ao que o Destino me faz ser,

Quero, um momento, aqui deter-me

E descansar a conhecer.

Há grandes lapsos de memória

Grandes paralelas perdidas,

E muita lenda e muita história

E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso; agora me perco

De mim e vou a transviar,

Quero chamar a mim, e cerco

Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero

Ser louco com moral e siso.

Vou tanger lira como Nero.

Mas o incêndio não é preciso.

Um tiro no escuro
Um passado perdido no espaço
Por onde começo?
O passado e a perseguição?
Você me perseguiu
Como um lobo, um predador

Senti-me como um cervo nas luzes do amor

Você me amou e eu congelei no tempo
Faminto por aquela carne minha
Mas não posso competir com uma loba
Que me pôs de joelhos
O que você vê naqueles olhos amarelos
Porque eu estou me despedaçando

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