Fernando Pessoa
Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que estou endoidecendo.
Bem sei que falha em mim quem sou.
Sim, mas, enquanto me não rendo,
Quero saber por onde vou.

Inda que vá para render-me
Ao que o Destino me faz ser,
Quero, um momento, aqui deter-me
E descansar a conhecer.

Há grandes lapsos de memória
Grandes paralelas perdidas,
E muita lenda e muita história
E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso; agora me perco
De mim e vou a transviar,
Quero chamar a mim, e cerco
Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero
Ser louco com moral e siso.
Vou tanger lira como Nero.
Mas o incêndio não é preciso.
Fernando Pessoa

Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que estou endoidecendo.

Bem sei que falha em mim quem sou.

Sim, mas, enquanto me não rendo,

Quero saber por onde vou.

Inda que vá para render-me

Ao que o Destino me faz ser,

Quero, um momento, aqui deter-me

E descansar a conhecer.

Há grandes lapsos de memória

Grandes paralelas perdidas,

E muita lenda e muita história

E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso; agora me perco

De mim e vou a transviar,

Quero chamar a mim, e cerco

Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero

Ser louco com moral e siso.

Vou tanger lira como Nero.

Mas o incêndio não é preciso.

Eu estava no inverno da minha vida
e os homens que encontrei pelo caminho
eram meu único verão.
Á noite eu dormia e tinha visões de mim mesmo
dançando, rindo e chorando com eles
três anos consecutivos em uma turnê mundial,
e minha memória deles foram as únicas coisas
que me sustentaram,
e meus únicos momentos reais de felicidade.

Eu não era um cantor muito popular
que tinha o sonho de se tornar um belo poetiso,
mas uma série de eventos desafortunados
destruiu esse sonho
e o dividiu como um milhão de estrelas no céu noturno,
para que eu fizesse pedidos a elas de novo
e de novo, brilhantes e destruídas.

Mas eu não me importei,
porque sabia que tudo o que você quer
e depois perde isso tudo,
é para saber o que a liberdade verdadeiramente é.

Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que
eu fazia e como eu vivia, elas me perguntaram “porquê?”.
Mas não faz sentido falar com pessoas que têm um lar,
elas não tem idéia de como é procurar segurança em
outras pessoas,
procurar um lar onde você possa descansar a cabeça.

Sempre fui uma pessoa incomum.
Minha mãe me disse que eu tinha alma de camaleão.
Nada de uma bússola moral apontando para o norte,
nada de personalidade fixa,
apenas uma determinação interna que era tão grande
e oscilante quanto o oceano.
E se eu dissesse que não planejava as coisas desse jeito,
estaria mentindo, porque eu nasci para ser o amante.

Eu não pertencia a ninguém.
Eu pertencia a todo mundo,
e eu não tinha nada.
Queria tudo com o fogo de cada experiência
e uma obsessão por liberdade que me assustava tanto
a perto de nem conseguir falar sobre isso,
e me empurro para um ponto nômade de loucura
que tanto me deslumbrava quando me deixava tonta.

Toda noite eu rezava
para encontrar pessoas como eu,
e finalmente achei, na estrada.
Não tinhamos nada a perder,
nada a ganhar, nada que desejassemos mais
exceto transformar nossas vidas em uma obra de arte.

Viva rápido
Morra jovem
Seja selvagem
E se divirta.

Eu acredito no que o país costumava ser.
Eu acredito na pessoa que quero me tornar.
Acredito na liberdade da estrada.
Meu lema é o mesmo de sempre.
Acredito na gentileza de estranhos.
E quando estou em guerra comigo mesmo,
eu dirijo por aí.
Só dirijo.

Quem é você?
Você está em contato com todas suas fantasias mais obscuras?
Você criou uma vida para você mesmo
na qual é feliz para experienciá-las?
Eu criei.
Eu sou louco pra caralho.

Mas eu sou livre.

(Lana Del Rey)

É divertido escorrer pelos seus dedos quando a sua real vontade era me ter na mão.